AVES
PROVAVELMENTE EXTINTAS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO VII
UIRAÇÚ –
GAVIÃO-REAL – HARPIA
HARPY –
EAGLE
Harpia
harpyja
Accipitridae
www iucnredlist org species 22695998 197957213
Situação global IUCN = Vulnerável
Situação no Brasil (ICMBIO 2018)
= NT
Provavelmente extinto no RJ
Situação em outros estados
brasileiros: ES, MG, PR, SC, RS (criticamente ameaçada); SP (ameaçada).
Principais ameaças
Os dados
sugerem que a espécie esteja em rápido declínio devido à perda e degradação
florestal (fragmentação do habitat), perseguição e caça ilegal.
Embora a
harpia pareça ser bastante tolerante a florestas degradadas e paisagens
modificadas pelo homem, ela não costuma ser encontrada em paisagens com menos
de 50% de cobertura florestal remanescente e geralmente não atravessa clareiras
florestais com mais de 500 m. Além disso, a preferência da espécie por árvores
muito grandes como locais de nidificação a torna potencialmente suscetível à
exploração madeireira seletiva. Portanto, pode-se presumir que o tamanho
populacional da espécie esteja diminuindo à medida que seu habitat florestal é
perdido.
Além
disso, a espécie está sujeita à caça e perseguição em grande parte de sua área
de distribuição, o que pode ter um impacto maior no tamanho populacional da
espécie do que o desmatamento em algumas áreas.
Distribuição
Planícies
tropicais do sul do México (sul de Veracruz) e da América Central às regiões
florestadas da América meridional a leste dos Andes, desde os seus limites
setentrionais (Colômbia, Venezuela, Guianas) até a Bolívia, Paraguai e extremo
norte da Argentina. Na porção oriental do Equador e do Peru. No Brasil, região
amazônica e todas as porções restantes densamente providas de florestas
(estados marítimos da Bahia a Santa Catarina), em áreas protegidas da Floresta
Atlântica, e recentemente no Rio Grande do Sul. No Brasil existem registros
também para o Cerrado e o Pantanal. (Olivério Pinto, 1978; IUCN, 2021).
Possui
uma extensa distribuição no sul do México, Guatemala, Belize, Honduras,
Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana
Francesa, Equador, Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai e nordeste da Argentina
(IUCN, 2021).
Acredita-se
que esteja local ou regionalmente extinto em grande parte de sua antiga área de
distribuição, incluindo a maior parte da América Central e do Norte, incluindo
El Salvador, a maior parte da Mata Atlântica no Brasil, partes da Bolívia e
partes da Venezuela ao norte do rio Orinoco. Na Argentina, é provável que tenha
sido extinto de Formosa, Salta e Jujuy. Extinta em El Salvador (IUCN, 2021).
Habitat e Ecologia
Ocorre em
florestas tropicais de terras baixas, tipicamente abaixo de 900 m, mas
localmente até 2.000 m. Parece ter alguma tolerância a florestas degradadas e
paisagens modificadas pelo homem, desde que a matriz florestal permaneça e haja
árvores muito grandes para locais de nidificação e disponibilidade suficiente
de presas. Utiliza fragmentos florestais dentro de um mosaico de
pastagens/florestas para caça. No entanto, é mais provável que seja encontrado
em florestas com pelo menos 70% de cobertura e tende a evitar áreas de terra
cultivada (IUCN, 2021).
Um estudo
no Arco do Desmatamento no Brasil (*) constatou que a espécie requer presas
vertebradas do dossel para reprodução bem-sucedida. Nidifica em árvores muito
grandes de espécies como Paineira, Ipês, Castanha-do-Pará, Tamboril,
Cedro-da-Amazônia, entre outras.
Na
Amazônia, parece nidificar em apenas 28 espécies de árvores. Nidifica
tipicamente abaixo de 310 m de altitude.
Castanheira-do-Pará
(*) Arco do Desmatamento é a região onde a
fronteira agrícola avança em direção à floresta e também onde se encontram os
maiores índices de desmatamento da Amazônia. São 500 mil km² de terras que vão
do leste e sul do Pará em direção oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e
Acre.
Mapa distribuição - IUCN Red List
Descrição
A harpia
é uma águia enorme. As fêmeas são muito maiores que os machos. As asas são
arredondadas, com as secundárias muito largas. Cauda longa. Tarsometatarso sem penas,
muito sólidos (forte). A circunferência do tarsometatarso nas fêmeas excede a
de qualquer outra ave de rapina. As garras também são muito grandes; um pouco
mais grossas e menos aguçadas do que nas águias de botas, tais como Stephanoaetus ou Oroaetus. Tem a crista (topete) dividida em duas partes. O imaturo
é um tanto diferente do adulto, com a cabeça e partes inferiores (pescoço,
peito e abdome) brancas.
O gênero Harpia é intimamente relacionado apenas
ao gênero Morphnus, o falso-uiraçu.
Fisicamente
a harpia é a mais formidável águia do mundo. É uma ave de floresta tropical
virgem, de terras baixas e contrafortes, e parece ser notavelmente discreta
para uma ave de seu tamanho, ofuscada pelas enormes árvores das florestas
tropicais.
Tabela 1. Medidas e peso
|
PARÂMETROS
|
MACHO
|
FÊMEA
|
|
Asa
(mm)
|
543-580
|
583-610
|
|
Cauda
(mm)
|
372-412
|
417-420
|
|
Tarsometatarso
(mm)
|
114-130
|
-
|
|
Peso
(Kg)
|
4,0 –
4,6
|
+/- 9,0
|
Fonte: (Brown & Amadon, 1989).
Características de campo
Dificilmente
pode ser confundida com qualquer outra ave, exceto com o falso-uiraçu, porém é
uma ave mais robusta, com crista dividida, não única, e com preto no peito.
Vocalização
Aves
adultas no ninho emitem, às vezes, um lamento alto "uiiiii-ooooo". Um
imaturo emplumado, talvez com oito a dez meses de idade, mas ainda dependente
dos adultos, emitia gritos agudos de fome frequentes,
"uiiiiii-uiiiiiiii", repetidos de dez a doze vezes; esses chamados
ocorriam cerca de dez vezes por hora. Jovens e adultos também emitem vários
coaxos e miados mais suaves (Brown & Amadon, 1989).
Hábitos gerais
Não é
muito claro se planam e cantam no início do ciclo de nidificação, embora já
tenham sido relatadas seis aves ao mesmo tempo planando por uma passagem em uma
área de montanhas baixas. Normalmente não voam acima da floresta, sempre abaixo
da copa das árvores.
Reprodução
Os ninhos
são grandes estruturas de gravetos, construídos numa bifurcação principal de
árvores enormes. A árvore Ceiba petranda é a preferida, e os ocasionais
exemplares enormes que se elevam acima da copa da floresta são selecionados.
Esta árvore é do mesmo gênero da paineira rosa, Ceiba speciosa, que
também pode atingir os 30 metros de altura. Os ninhos são construídos
principalmente em árvores mais altas, geralmente em forquilhas de galhos
grossos acima do dossel. Podem medir um metro e meio de largura, um metro e
meio de altura e uma tigela de quinze centímetros de profundidade. Cerca de
sessenta centímetros de material novo podem ser adicionados aos ninhos antigos.
Os ramos têm aproximadamente 2,5 centímetros de diâmetro. O ninho é forrado com
folhas verdes e grandes vagens de sementes de dezoito centímetros de
comprimento, e eventualmente pode conter pelos de preguiça (Brown & Amadon).
Os ovos
(n=4) medem 71-80 X 57-60 (76 X 59 mm). Eles geralmente apresentam manchas
amareladas tão intensas que é difícil dizer se a casca está manchada quando o
ovo está fresco (Brown e Amadon). A postura ocorre entre setembro e novembro na
Amazônia, e consta de dois ovos de coloração branca pesando entre 120 a 150
gramas. A incubação dura cerca de dois meses, e geralmente apenas um filhote
sobrevive (Sick, 1997).
Alimentação
Capturam
principalmente os mamíferos arborícolas como macacos, preguiças, gambás, quatis
e ouriços. Vão ao solo para capturar cutias. Aves grandes, como cracídeos
(mutuns, jacutingas) e araras são predadas ocasionalmente. Preda também repteis
como os iguanas.
Referências
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habits of the Harpy Eagle, a top predator from the Amazonian rainforest canopy.
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EASON, P. Harpy eagle attempts predation on adult howler monkey. Condor, v. 91, p. 469-470, 1989.
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Harpy Eagle nestling in eastern amazon. The Wilson Bulletin, n.112, p.535-536,
2000.
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho daFauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Volume III - Aves. In: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. (Org.). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 709p.
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Conservación del águila harpia (Harpya harpija) en Equador. Tesis Doctoral.
Facultad de Ciencias. Departamento de Ciencias Ambientales e Recursos Naturales.
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PACHECO, J. F.; FONSECA, P. S. M. da; PARRINI, R. Coletânea cronológica de registros recentes de Harpia harpyja (L.) para os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Atualidades Ornitológicas, n. 111, p. 7, 2003.
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RETTIG, N. L. Breeding behavior of the Harpy eagle (Harpia harpyja). Auk, v. 95, n. 4,
p. 629-643, 1978.
ROBINSON, S. K. Habitat selection and foraging ecology of raptors in Amazonian, Peru.
Biotropica, v. 26, n. 4, p. 443-158, 1994.
SICK, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.