terça-feira, 19 de junho de 2018

AVES NOTURNAS DE NITERÓI



AVES NOTURNAS DE NITERÓI



A Floresta Atlântica é caracterizada por uma alta diversidade de fauna e flora, constituindo uma importante área de endemismo de aves, existindo pelo menos 158 espécies de aves endêmicas neste bioma. Entretanto, o acelerado processo de urbanização, ocupação e colonização das terras no Estado do Rio de Janeiro, sem um planejamento adequado causaram significativas alterações e reduções da Floresta Atlântica, bem como da fauna a ela associada. Segundo projeções históricas 97% da área do Estado do Rio de Janeiro era coberta por florestas, o que significava aproximadamente 44 mil quilômetros quadrados de florestas. Segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica esta área está reduzida a menos de 20% em relação àquela existente originalmente no Estado. Alguns fatores contribuíram e contribuem para alterar as populações nativas de aves, tais como a abertura e alteração de ambientes (desflorestamento e urbanização) ou o manejo inadequado da flora, com a redução das espécies que oferecem alimentação e abrigo além da introdução de plantas exóticas. A caça e a captura ilegal também exerceram e continuam exercendo no entorno da mancha urbana, uma forte pressão predatória sobre a avifauna. Neste contexto, as áreas verdes do Município de Niterói apresentam grande importância local, e mesmo regional, constituindo verdadeiras ilhas de refúgio para a fauna e flora remanescentes. 


 Trilha no interior do Parque da Cidade.



O município de Niterói conta com uma área de 129,3 km2 e está localizado na região metropolitana do Rio de Janeiro, a vinte e dois graus de latitude Sul e quarenta e três graus de longitude Oeste, e possui uma população de 496.696 habitantes (IBGE, 2016). A temperatura oscila entre dezenove e trinta graus ao longo do ano. Limita-se ao Norte com o município de São Gonçalo e com a baía da Guanabara; ao Sul limita-se com o Oceano Atlântico; a Leste com os municípios de Maricá e São Gonçalo e a Oeste com a baía da Guanabara. A altitude varia do nível do mar passando por duzentos e setenta metros no Parque da Cidade, tendo o ponto mais alto no Parque Estadual da Serra da Tiririca onde atinge a cota de 412 metros. Possui um clima tropical, quente e úmido (ZAIDMAN 1985). 


Estátua de Araribóia em frente à estação das barcas


Apesar do desenvolvimento urbano acelerado, e das agressões ao que restou da floresta Atlântica no município, ainda existem áreas verdes em Niterói capazes de abrigar alguns representantes da rica avifauna neotropical. Estes remanescentes de vegetação podem ser encontrados nos diversos morros que circundam a cidade. Áreas verdes mais extensas são encontradas na Serra Grande, que faz divisa entre o primeiro e o segundo distrito, Serra de Jurujuba e Serra do Malheiro em Itaipu. Existe ainda a Serra da Tiririca na divisa dos municípios de Niterói e Maricá, que inicia junto à praia de Itacoatiara e projeta-se até o Engenho do Mato, onde foi criado o Parque Estadual da Serra da Tiririca através da Lei Estadual 1901 de onze de novembro de 1991.  Limítrofe ao PESET foi criada a Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, através da Lei Municipal 1566/97 de 20/03/1997, que ampliou consideravelmente as áreas de preservação ambiental no município. De caráter expressivo é a Reserva Biológica e Florestal denominada Parque da Cidade, situada no morro da Viração de São de Francisco, com uma altitude de duzentos e setenta metros, com acesso pelo bairro de São Francisco e que se estende até Piratininga, onde alcança a cota de três metros dando lugar em alguns trechos à restinga que confronta com a laguna de Piratininga.




Limites do PE Serra da Tiririca (verde) e da RE Darcy Ribeiro (vermelho).

As lagunas de Piratininga e Itaipu formam o complexo lagunar de Niterói, já bastante degradado, em virtude do processo de urbanização mal planejado. A bacia hidrográfica das lagunas de Piratininga e Itaipu está situada integralmente em Niterói, na região Oceânica e compreende uma área de 45,5 km², sendo delimitada pelas cristas dos Morros da Viração, Preventório, Sapezal, Santo Inácio e pelas Serra Grande (Morros do Cantagalo e Jacaré) e da Tiririca. A bacia é formada por rios e valas de pequena extensão e pelas lagunas de Piratininga e Itaipu, cujo espelho d’água, somado, é de 3,85 km2. As águas que descem das encostas e escoam pela planície, atingem inicialmente as lagunas e em seguida o mar, através de um canal artificial que liga a Laguna de Itaipu com a praia de mesmo nome, construído em 1979. A Laguna de Piratininga escoa suas águas em direção a Laguna de Itaipu, por intermédio do Canal do Camboatá, que possui 2,15 km, largura média de 9,5 m e profundidade média de 0,40 m.


Laguna de Piratininga



Muitas aves vocalizam ou se locomovem durante a noite, porém alguns grupos específicos desenvolvem todas as suas atividades a partir do crepúsculo e durante toda a noite. Juntamos estas aves no grupo que chamamos de aves noturnas, incluindo aqui as corujas, os bacuraus e urutaus. Todas são aves de voo silencioso, graças a plumagem macia.
São quatro famílias, duas de corujas e duas de bacuraus e urutaus: Tytonidae, Strigidae, Caprimulgidae e Nyctibiidae. Entre os bacuraus podemos distinguir 2 grupos: aqueles realmente noturnos (gênero Caprimulgus) e os demais que podem ser vistos a partir do entardecer no crepúsculo voando sobre as áreas abertas e cursos d’água.
Como diferenciar bacuraus de corujas? Utilizaremos chaves artificiais para facilitar a tarefa sempre árdua de identificar uma ave. Muitos detalhes só podem ser checados com a ave na mão, mas alguns podem ser obtidos durante a observação da ave.
Tanto corujas como bacuraus possuem quatro dedos sem membranas interdigitais, porém a arrumação dos dedos é diferente. Os bacuraus possuem um pé anisodactilo, ou seja, com três dedos voltados para frente e um dedo, o hálux (I) voltado para trás. Já as corujas possuem uma arrumação dos dedos que permite ao dedo externo (IV) virar para trás de forma que a presa não possa escapar, caracterizando um pé do tipo zigodáctilo.
Os olhos das corujas são grandes e não se movem. Em compensação elas podem girar a cabeça quase 180º.
As corujas engolem suas presas quase inteiras. Ossos, penas, quitina e pelos não são digeridos e são regurgitados na forma de pelotas. Essas pelotas de regurgitação indicam o local habitual de pouso das aves e servem para investigar as presas daquela espécie.
As corujas possuem bico forte, adunco, apropriado para caçar, enquanto o bico dos bacuraus é pequeno e frágil. Em contrapartida possuem uma boca enorme. Os pés das corujas são tipicamente raptoriais com unhas fortes e aguçadas, enquanto os bacuraus têm pés pequenos, pernas curtas e fracas, e a unha do dedo médio é pectinada (são recortes paralelos que lembram os dentes de um pente). A família Tytonidae também apresenta a unha do dedo médio pectinada. Os bacuraus são insetívoros, enquanto as corujas são carnívoras em sua maioria.
O nome da família Caprimulgidae remete a uma lenda da antiguidade europeia. Como os bacuraus voavam próximo aos animais de produção ao anoitecer, na tentativa de capturar insetos, os camponeses acreditavam que eles vinham mamar nas cabras. As bocas enormes ajudavam a sustentar a ideia. O nome vem do latim “caprimulgire” (ordenhar a cabra). A vocalização dos bacuraus e urutaus ajuda a separar os dois grupos. A vocalização dos membros da família Caprimulgidae geralmente é um assovio, enquanto a vocalização dos Nyctibiidae é uma espécie de grito agourento. Muitas vezes identificamos estas aves pelas vozes sem, contudo lograr vê-las.
A forma de pousar também ajuda a reconhecer as duas famílias. Os urutaus pousam na ponta dos galhos e troncos secos, de forma vertical, tornando-se quase invisíveis como se fosse uma extensão do tronco. Os bacuraus geralmente pousam no solo e é comum vê-los à noite nas beiradas dos caminhos, estradinhas e até nas rodovias. O quarto dedo dos bacuraus tem quatro falanges ao invés de cinco, o que facilita a ave pousar em ramos longitudinalmente ao invés de transversalmente como as outras aves fazem a maior parte do tempo.

Chave artificial para as corujas de Niterói.

1.       Corujas com “orelhas” (penas auriculares)
a.       Coruja de porte grande - Asio clamator
b.       Coruja de porte pequeno - Megascops choliba

2.       Corujas sem “orelhas”
a.       Disco facial em formato de coração - Tyto furcata
b.       Disco facial normal (arredondado)
i.        Coruja de porte grande
1.       Plumagem predominante negra com estrias brancas - Strix huhula
ii.       Coruja de porte médio - Athene cunicularia
iii.      Coruja de porte pequeno - Glaucidium brasilianum

Afinal o que são as “orelhas” das corujas? 

As “orelhas” na verdade não são orelhas como as dos mamíferos, mas sim penas da face modificadas. Essas penas não têm relação com a audição, sendo ainda um aspecto pouco esclarecido. Existem teorias que sugerem que o aspecto peculiar serve para distinguir a ave orelhuda de outras espécies de coruja em condições de pouca luz. Foi sugerido também que os tufos de pena lembrando orelhas conferem a coruja um aspecto semelhante a um predador mamífero como o lince, o que serviria para desestimular outros predadores. As “orelhas” contribuem para a camuflagem, amortecendo a silhueta mimetizando um galho quebrado em uma árvore seca. Os tufos parecem exercer papel na comunicação. Bubo virginianus, por exemplo, abaixa as penas quando irritado ou com medo, levantando-as quando em estado de alerta.

Agora as aves noturnas de Niterói, em ordem alfabética 


BACURAU
Nyctidromus albicollis
Caprimulgidae
(R), (LC), (PD).


Ouça a vocalização:
https://www.xeno-canto.org/explore?query=Nyctidromus+albicollis

30 cm. Também é chamado de curiango. À noite, é a ave mais observada nas estradinhas e mesmo na beira das rodovias.
A cauda é longa e nos machos destaca-se uma pena totalmente branca nas laterais, e uma faixa brancas nas asas bem visíveis durante o voo. As fêmeas não têm essas características.
São insetívoras. Levantam voo atrás dos insetos e retornam ao mesmo local onde estavam pousados, geralmente no solo. Aproveitam as revoadas de cupins para alimentar-se.
Nidificam no solo aproveitando tufos de capim rasteiro e folhas. A postura consta de 2 ovos rosados com pequenas manchas marrons e medem aproximadamente 20 X 27mm.
Os 2 ovos que encontramos eram rosados salpicados de marrom de forma irregular, mais concentrado no polo agudo e mediam 31 X 23 mm e 33 X 23 mm.

BACURAU-DA-TELHA   
Hydropsalis longirostris
Caprimulgidae
(R), (LC), (PE).




Ouça a vocalização:
http://www.wikiaves.com/midias.php?tm=s&t=c&c=3303302&s=10553

23 cm. A coloração geral é amarronzada. Os machos apresentam uma faixa branca nas asas, que nas fêmeas é de coloração amarelada. A voz é um assovio bem fino.
São insetívoros, capturando cupins, mosquitos, besouros e mariposas, sobre os telhados das casas, e nos postes de iluminação.
Vivem em áreas abertas, campos, na caatinga, nas altas montanhas do sudeste como em Itatiaia, mas também nas cidades.
A postura consta de 2 ovos brancos elípticos. Os ovos são postos diretamente sobre o substrato. Encontramos um ninho em outubro de 2000 e no mesmo local em setembro de 2001 com dois filhotes em jardineira do oitavo andar de um prédio no bairro de Santa Rosa. Em 24 de outubro um ovo estava picado e em 27 de outubro os dois filhotes estavam com os olhos abertos. Abandonaram o ninho entre 08 e 13 de novembro, data da minha última visita. 



Esta espécie esteve sem informações por mais de 100 anos, sendo redescoberta por Helmut Sick em 1941.

BACURAU TESOURA    
Hydropsalis torquata
Caprimulgidae
(R), (LC), (PE).




Ouça a vocalização:
https://www.xeno-canto.org/species/Hydropsalis-torquata

40 cm. A coloração geral é marrom acinzentado com spots brancacentos no dorso e nas asas. Bico curto com cerdas escuras. Colar nucal marrom. Sobrancelha branca próxima ao bico e cinzenta na parte posterior. Cauda longa bifurcada representando 2/3 do comprimento total da ave. As retrizes exteriores formam a tesoura, mas as retrizes medianas também são longas.
Alimenta-se de insetos como cupins, mosquitos e outros insetos pequenos.
A postura é feita diretamente no solo, com dois ovos de fundo branco rosado salpicado de rosado mais escuro.

CABURÉ     
Glaucidium brasilianum
Strigidae
(R), (LC), (PD).



Ouça a vocalização:
https://www.xeno-canto.org/species/Glaucidium-brasilianum

16 cm. Também é chamado de caburé-do-sol. Corujinha sem orelhas, de hábitos crepusculares. Coloração geral amarronzada com estrias brancas. Disco facial marrom estriado de branco e castanho avermelhado. Olhos amarelos-limão e sobrancelha branca. Bico amarelado com a ponta cinzenta esverdeada. Existem dois padrões de coloração: um marrom acinzentado e outro castanho avermelhado. A cabeça e a parte posterior do pescoço são salpicadas de branco amarelados e há grande variação nas estrias do corpo. Existem de 6 a 8 bandas brancas na cauda. Caça ao amanhecer e ao anoitecer. Caça de emboscada escondendo-se entre a folhagem densa para surpreender e capturar as presas. Preda principalmente insetos, mas captura répteis, anfíbios, aves e pequenos mamíferos. São capazes de capturar presas maiores e mais pesadas, como ratos e aves do porte de sanhaços e rolinhas.
Podem ser encontradas nas baixadas e sopés das montanhas, tanto em florestas primárias como secundárias. Adapta-se aos ambientes alterados como as áreas de cultivo, parques e jardins. 
Nidifica em ocos nas árvores, cupinzeiros e cavidades em barrancos. A postura é de 2 a cinco ovos de coloração branca que medem 33-34 X 28-29 mm.


CORUJA BURAQUEIRA
Athene cunicularia
Strigidae
(R), (LC), (PD).


Imagem obtida pelo prof Antonio Carlos Bressan

Ouça a vocalização:
https://www.xeno-canto.org/species/Athene-cunicularia?pg=2

27 cm. Embora esteja convencionalmente inclusa no grupo de aves noturnas, a coruja-buraqueira ou buraqueira é uma coruja terrícola de hábitos diurnos apesar de evitar as horas mais quentes, sendo mais vistas na parte da tarde.
Coruja sem “orelhas”, terrestre, de pernas longas. O dorso é pardo acizentado com grandes manchas avermelhadas transversais. Na asa e na cauda apresentam manchas brancacentas transversais. A garganta é branca com uma banda escura. Peito e ventre branco barrado de marrom escuro. Asas e cauda barradas de branco amareladas e marrons escuras. Os olhos são amarelos.
Habitam os campos e áreas abertas, próximos às praias, capoeiras e nas restingas.
Caçam pequenos mamíferos como ratos, pequenos pássaros, rãs e repteis de pequeno porte, entretanto estas corujas comem principalmente insetos grandes como besouros e gafanhotos. Também comem frutas e sementes.  Alimenta-se no crepúsculo, mas também caça insetos durante o dia e mamíferos pequenos a noite. A estratégia mais comum é caçar insetos andando, pulando ou com voos curtos a partir do chão. Usa os pés para capturar insetos grandes no ar. Para caçar presas maiores fica empoleirada em cercas ou grandes cupinzeiros e "mergulha" sobre ela.
Geralmente é vista aos pares e eventualmente sozinha. Costumam ficar pousados sobre os monturos onde está o ninho, nos moirões de cercas, nos cupinzeiros e mesmo no solo, de onde vigiam as imediações e localizam as possíveis presas.
O ninho é construído em galerias cavadas no solo. Estas tocas medem de 1,2 a 2.5 m de comprimento e o túnel tem de 15 a 20 cm de diâmetro. No fundo da galeria preparam uma câmara de 25 a 40 cm, que forram com capim seco e esterco de cavalo ou de boi. A terra é amontoada sobre a galeria servindo de ponto de pouso. Costumam amontoar esterco próximo a entrada da toca, como uma forma de atrair besouros que ali fazem a postura, fornecendo alimento fácil para as corujas. As corujas moram nessas tocas durante todo o ano, mesmo quando não estão criando. A postura é de 5 a 7 ovos de coloração brancacenta.


CORUJA ORELHUDA    
Asio clamator
Strigidae
(R), (LC), (PE).



Ouça a vocalização:
http://www.wikiaves.com/midias.php?tm=s&t=s&s=10532

38 cm. Coruja com “orelhas” compridas (5 a 6 cm). De coloração geral acanelada com estrias longas transversais compridas e escuras. O disco facial e amarronzado brancacento. O bico é negro e os olhos são marrons acanelados. Os dedos têm penas até perto das unhas. Asas e cauda cinzentas com bandas escuras. Partes inferiores amareladas com estrias negras.
A espécie pode ser encontrada desde o nível do mar até 1600 metros de altitude nas florestas tropicais, em áreas abertas, áreas agrícolas e dentro das cidades em parques, jardins e quintais arborizados. Geralmente só ou aos pares, mas podem formar grupos com 10 ou mais indivíduos.
A alimentação consiste de roedores como camundongos e ratos grandes, morcegos. Eventualmente outros pequenos vertebrados, como aves que capturam no pouso noturno.
Nidifica em ocos de árvores, entre ramos e troncos secos, e no chão forrado com gramíneas secas e oculto entre a vegetação. A postura consta de 2 a 4 ovos brancos.


CORUJA-PRETA
Strix huhula
Strigidae
(R), (LC), (PD).



Imagem obtida pela Dra Andrea Rangel de Freitas

Ouça a vocalização:
https://www.xeno-canto.org/species/Strix-huhula

36 cm. Também é chamada de mocho-negro. Coruja sem “orelhas” com um disco facial negro com linhas brancas concêntricas. A coloração geral é preta com finas riscas brancas. Preta na parte superior com barras onduladas brancas finas. Peito e ventre com as barras brancas mais largas. Cauda preta com 4 barras brancas estreitas. Bico e pés alaranjados. Os olhos são castanhos.
Tem hábitos noturnos e vive solitária ou aos pares. Ocorre do nível do mar até as baixas altitudes. Empoleira nos ramos à meia altura e também logo abaixo das copas. Habita áreas de floresta úmida com árvores altas (incluindo matas de araucária), mas é ocasionalmente encontrada em ambientes antrópicos como bananais e cafezais. 
Localizamos um exemplar no bairro de São Francisco, capturando morcegos nas garrafas alimentadoras de beija-flores, e mariposas nos postes de iluminação. Em agosto de 2007. Em 23 de setembro de 2016 um exemplar em condições precárias foi resgatado no bairro do Ingá.




https://imagem.band.com.br/zoom/f_364379.jpg

Sua alimentação é composta por insetos como gafanhotos, besouros grandes e baratas. Como pudemos comprovar também caça morcegos. Além dessas presas também captura roedores, repteis e aves.
O ninho é feito em cavidades nos troncos das árvores e até entre os emaranhados de epífitas no alto das árvores. A postura consta de 2 ovos.


CORUJINHA-DO-MATO        
Megascops choliba
Strigidae
(R), (LC), (PE).



Ouça a vocalização:
https://www.xeno-canto.org/explore?query=Megascops+choliba

24 cm. Coruja de pequeno porte, com “orelhas” pequenas, às vezes difícil de visualizar. Coloração marrom acinzentada no dorso com pequenos pontos negros. A região ventral é amarela acinzentada com estrias negras. Cauda com bandas estreitas de coloração canela amareladas. Disco facial cinza com finas linhas transversais brancacentas. A superfície inferior das primárias é barrada. Na fêmea o dorso é marrom avermelhado. As penas auriculares são negras com salpicos amarelos. A íris é amarela, podendo haver variações entre indivíduos.
A espécie ocorre em todo o Brasil, do nível do mar até 1500 metros de altitude, nos mais variados ambientes. Nas cidades habitam parques, jardins, quintais das residências. Não ocorrem na floresta primária densa, desertos e áreas sem árvores.
Hábitos noturnos. Geralmente solitária, as vezes aos casais.
Alimentam-se basicamente de insetos como mariposas, grilos, cigarras, besouros, louva-a-deus, gafanhotos, escorpiões e aranhas. Costuma caçar nos postes de iluminação das ruas das cidades. Ocasionalmente capturam cobras, morcegos e outros pequenos mamíferos como camundongos.
O ninho é construído em ocos de arvores, cupinzeiros, buracos nos telhados de casas abandonadas. A postura consta de 1 a 4 ovos, brancos e que medem  34 X 29 mm.


SUINDARA
Tyto furcata
Tytonidae
(R), (LC), (PE).




Ouça a vocalização:
http://www.wikiaves.com/midias.php?tm=s&t=s&s=10512


38 cm. Também chamada de rasga-mortalha. Coruja sem “orelhas” e de pernas compridas. Olhos negros, pequenos. A coloração geral é cinzenta e amarela no dorso, densamente riscada de preto, branca e amarela. Penas laranja avermelhadas na base. O disco facial tem a forma de coração. Cara branca, escuro ao redor dos olhos, circunscrita por um contorno escuro formando o coração. Partes inferiores brancas salpicadas com alguns pontos escuros.
Prefere áreas abertas com árvores esparsas, muitas vezes nos subúrbios ou mesmo dentro das cidades. Parece evitar áreas muito frias, o que a torna mais comum em climas temperados ou quentes.
A alimentação consiste basicamente de roedores, mas também come insetos, como gafanhotos, morcegos, repteis anfíbios e aves.
Nidificam em ocos de arvores, construções abandonadas e embaixo de telhados. Acostuma-se com ninhos artificiais. A postura consta de consta de 5 a 7 ovos em média, e que medem 42 X 33 mm. Um casal pode nidificar até três vezes por ano.


URUTAU    
Nyctibius griseus
Nyctibiidae
(R), (LC), (PD).

Imagem obtida pela Dra. Juliana Oliveira

Ouça a voz:
https://www.xeno-canto.org/explore?query=Nyctibius+griseus

37 cm. Também é chamado de mãe-da-lua. Os urutaus tem um tufo de penas em frente aos olhos, semelhantes às “orelhas” das corujas, bem visível quando estão com os olhos fechados e que desaparece quando abrem os olhos. Duas incisões na pálpebra superior, formando uma espécie de pequena janela (“olho mágico” segundo Sick, 1997), permitem que o urutau consiga observar os arredores com os olhos fechados.
O colorido é bastante variado, basicamente cinza-amarronzado manchado de preto e ruivo.
Habita a orla da mata, cerrados e também nas restingas. Empoleira na ponta dos galhos secos em posição vertical, com a cabeça erguida como se fosse uma continuação do galho.
Caça insetos ao anoitecer, saindo e retornando ao mesmo pouso em curtos voos.
Faz a postura de apenas um ovo, em uma depressão em galho de arvore a meia altura, ou utilizam o oco de um tronco no topo das arvores secas. Os ovos são elípticos, brancos com pequenas manchas violetas manchas maiores pardo-avermelhadas.
Sua voz é um lamento bem alto que lembra a voz humana.
A respeito da vocalização existe uma lenda indígena que originou a ideia de que o urutau acompanha o movimento do sol do alto de seu pouso. As coisas são um pouco confusas: a lenda gerou a ideia falsa ou a ideia gerou a lenda? O cientista Emílio Goeldi desmentiu a afirmação de que o urutau segue o movimento do sol, fotografando a ave na mesma posição com intervalos de duas horas durante todo um dia. Vamos a lenda contada por Eurico Santos.
O deus Sol seduziu uma donzela e depois a abandonou. Ela para poder segui-lo com o olhar subiu em uma árvore bem alta, mas foi transformada em uma ave. Ao anoitecer quando o ingrato amante mergulha no horizonte, ela inicia suas lamentações, chorando a tristeza de um amor bandido.




OBRAS CONSULTADAS

Catálogo crítico comparativo dos ninhos e ovos das aves do Brasil. Revista do Museu Paulista, p. 191-300, 1899. VON IHERING, H.
Da ema ao beija-flor. Zoologia Brasilica 4. SANTOS, E. Editora Itatiaia, 1079.
Descripção de ninhos e ovos das aves do Brasil. Revista do Museu Paulista, nov/1898, p. 9-148. EULER, C.
Grzimek’s Animal Life Encyclopedia. Vol. 8. Birds II. Cap. 12. The Owls. KONIG, C. 1975
O bacurau Caprimulgus longirostris Bom. E outras aves noturnas do estado da Guanabara (GB). Vellozia, v.1, n.3, p.107-116, 1963. SICK, H.
Ocorrência da coruja-preta em área urbana de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Boletim. Neotropical Raptor Network, Boletim 8. FREITAS, A. A. R; LEMOS, M. 2009.
Ocorrência e status de algumas aves de rapina no município de Niterói, Estado de Rio de Janeiro. Boletim ABFPAR, v.4 n.2. LEMOS, M. 2001.
Ornitologia Brasileira. SICK, H. 1997
Os hábitos de reprodução do curiango – Nyctidromus albicollis (Gmelin, 1789). Ararajuba, v.7, n.11, p.39-40, 1999. ALVARENGA, HMF.
Owls of the world. Their lives, behavior and survival. DUNCAN, J.R. 2003.
Sobre a coleção Carlos Estevão de peles, ninhos e ovos das aves de Belém (Pará). Papéis Avulsos do Departamento de Zoologia. Secretaria Agircultura. São Paulo. v.XI, n.13, p.111-222, 1953. PINTO, O.




Legendas
(R) – Residente
(LC) – Status de Conservação = Pouco preocupante (IUCN)
(PA) – Tendência da população mundial = Aumentando (IUCN)
(PD) – Tendencia da população mundial = Em declínio (IUCN)
(PE) – Tendencia da população mundial = Estável (IUCN)





Links para mais informações e das mídias

Strix huhula
Hydropsalis torquata
Bacurau
Bacurau-tesoura
Nyctibius griseus
Foto PESET
Mapa PESET/  REM DR




Vocalizações

As vocalizações das diversas espécies podem ser ouvidas no site

www.xenocanto.org

Procure as vocalizações gravadas no Brasil.
Não consegui incluir os arquivos de voz que possuo.


Um comentário:

  1. Excelente iniciativa. Parabéns! Precisamos valorizar nossa fauna local.

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